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Veja onde e como fazer turismo de observação de onças no Pantanal | Desafio Natureza

Veja onde e como fazer turismo de observação de onças no Pantanal | Desafio Natureza

É possível acordar em São Paulo de manhã e, antes do por-do-sol, estar a poucos metros de distância de uma onça-pintada no Pantanal. Para o Desafio Natureza sobre a caça e a pesca ilegal, o G1 visitou Porto Jofre, uma localidade do município de Poconé (MT) onde o turismo de observação de onças e outros animais está em franca expansão e, em 2015, movimentou quase 7 milhões de dólares naquele ano (cerca de R$ 28 milhões, na conversão atual, sem considerar a inflação).

Os dados são do pesquisador Fernando Tortato, da ONG Panthera, uma das organizações ambientalistas que atua na conservação da biodiversidade no Pantanal. Uma das frentes para evitar a caça e a sobrepesca da fauna local inclui oferecer outras fontes de renda à população, e o ecoturismo vem tomando a dianteira nessas ações.

A reportagem do G1 passou mais de meia hora observando de cerca de 20 metros de distância a onça-pintada Juru, o macho dominante da região, e vice-versa — Foto: Eduardo Palacio/G1A reportagem do G1 passou mais de meia hora observando de cerca de 20 metros de distância a onça-pintada Juru, o macho dominante da região, e vice-versa — Foto: Eduardo Palacio/G1

A reportagem do G1 passou mais de meia hora observando de cerca de 20 metros de distância a onça-pintada Juru, o macho dominante da região, e vice-versa — Foto: Eduardo Palacio/G1

Além de Porto Jofre, outras regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também já oferecem pacotes turísticos para a observação de onças, principalmente entre julho e novembro, quando ocorre o período de seca no Pantanal, e as praias que ficam inundadas no resto do ano atraem os animais silvestres para mais perto dos humanos em passeios em barco.

Outras estão mais longe dos rios, e os passeios para encontrar o maior felino das Américas é feito de carro.

Veja abaixo onde e como ver uma onça de perto no Pantanal. Mas, antes, confira dicas que valem para todos os locais:

  • RESPEITE AS NORMAS: é possível chegar perto dos animais silvestres, mas essa harmonia só funciona se os limites forem respeitados, incluindo a distância mínima a ser mantida e, principalmente, não intervindo no habitat dos animais. Usar comida para atrair onça-pintada é perigoso e proibido por lei;
  • PROTEJA-SE DOS INSETOS: o bioma do Pantanal é propício para muitas espécies de insetos, principalmente durante a cheia, mas também na seca. Por isso, use sempre repelente em todos os momentos do dia, em especial no fim da tarde. Outra dica é evitar roupas pretas, cor que atrai os insetos;
  • ROUPAS CONFORTÁVEIS E PROTETOR SOLAR: Ir ao Pantanal é ir para o meio do mato, por isso é preciso se vestir de acordo para aproveitar melhor a viagem;
  • PACOTES: Por serem áreas remotas, em geral os pacotes são oferecidos com a hospedagem, a alimentação e os passeios guiados; os preços costumam ser um pouco salgados, mas as pousadas oferecem quartos equipados com wi-fi e ar-condicionado, entre outros confortos, além da comida farta;
  • ‘CIENTISTA CIDADÃO’: Quem é adepto do turismo fotográfico pode ajudar diretamente na conservação das espécies. Em Porto Jofre, por exemplo, um catálogo de onças-pintadas está em construção permanente a partir de fotos de animais que ainda não foram registrados – e quem fotografa um deles pela primeira vez ainda ganha o direito de batizá-lo.

Turismo para ver onças no Pantanal gera empregos e preserva os animais

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A principal forma de ver onças-pintadas em Porto Jofre é nos barcos que saem do porto e percorrem os rios e canais do Parque Estadual Encontro das Águas. O local, porém, é remoto: para chegar, a reportagem do G1 alugou um veículo 4×4 no aeroporto de Cuiabá e passou cerca de cinco horas na estrada.

Além das rodovias estaduais asfaltadas, também é preciso pegar a Estrada Transpantaneira, construída na década de 1970 e que tem 145 quilômetros de trechos de terra, incluindo mais de 100 pontes sobre áreas pantaneiras.

O trajeto deu mostras de que nem todo modelo de carro consegue chegar ao fim da estrada, especialmente quando chove. Naquele domingo de maio, a lama fez muita gente atolar, e tratores tiveram que ser usados para resgatar os viajantes. Uma família de turistas de Mato Grosso precisou estacionar o carro na Jaguar Ecological Reserve, uma pousada a mais de 30 quilômetros do ponto final, e desistir de chegar até o rio, mas conseguiu aproveitar o fim de semana para fazer fotos das várias espécies de pássaros que dormem nas árvores da pousada.

DICA: Ajuste o relógio biológico! As araras-azuis acordam cedo e são falantes.

Arara azul em Porto Jofre: além das onças, observação de pássaros também atrai turistas à região do Pantanal matogrossense — Foto: Eduardo Palacio/G1Arara azul em Porto Jofre: além das onças, observação de pássaros também atrai turistas à região do Pantanal matogrossense — Foto: Eduardo Palacio/G1

Arara azul em Porto Jofre: além das onças, observação de pássaros também atrai turistas à região do Pantanal matogrossense — Foto: Eduardo Palacio/G1

Os passeios pelo rio para observar a fauna pantaneira costumam acontecer em barcos abertos com capacidade para até sete pessoas.

Como há pelo menos 145 onças já identificadas no território, os profissionais que trabalham com turismo costumam se comunicar via rádio e indicar onde encontraram uma onça. Por isso, é comum que a observação ocorra junto com outros barcos.

Em Porto Jofre há menos de dez pousadas, e a maioria está aberta apenas na época de seca, a partir de junho e até o fim do ano; mas já existem ofertas de turismo de observação o ano todo, como na Pousada Jaguar Camp. Em geral, as pousadas oferecem pacotes que combinam a hospedagem, a alimentação e os tours guiados por profissionais especialistas. Os turistas costumam optar pela viagem de quatro dias e três noites, que sai em torno de R$ 6 mil.

Na temporada de seca, porém, é preciso agendar com antecedência, porque a turismo na região, apesar de em expansão, é limitado e os quartos costumam lotar meses antes.

Ailton Lara começou a trabalhar como motorista para turistas em Porto Jofre e hoje tem sua própria pousada: 'a onça é o meu ganha-pão' — Foto: Ana Carolina Moreno/G1Ailton Lara começou a trabalhar como motorista para turistas em Porto Jofre e hoje tem sua própria pousada: 'a onça é o meu ganha-pão' — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Ailton Lara começou a trabalhar como motorista para turistas em Porto Jofre e hoje tem sua própria pousada: ‘a onça é o meu ganha-pão’ — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Miranda e Aquidauana (MS)

Algumas fazendas localizadas nos municípios de Miranda e Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, oferecem passeios nos quais os hóspedes podem fazer avistamento das onças-pintadas e outros animais dentro de carros, como nos safáris africanos.

A ideia, aliás, surgiu na África e profissionais de lá cruzaram o oceano para treinar guias e conservadores brasileiros. O modelo, batizado de Onçafari, foi importado por Mario Haberfeld, brasileiro que fez carreira como piloto de automobilismo e, depois da aposentadoria, decidiu se dedicar à conservação dos animais.

Fazendeiros e ambientalistas se unem em MS para proteger as onças-pintadas

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O processo envolve mudar o hábito e a relação das onças com os homens. No Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, onças resgatadas e criadas em cativeiro passaram por um processo de adaptação à vida selvagem. Depois, quando já sabiam caçar sozinhas, elas passaram a ter contato com os seres humanos dentro de veículos, que, para ela, não são vistos nem como comida nem como uma ameaça.

As gerações seguintes de filhotes já nascem habituadas nessa nova dinâmica, o que faz com que fique mais fácil levar turistas para avistarem onças. No último ano, 95% dos hóspedes conseguiram ver um exemplar do maior felino das Américas, e a região já identificou pelo menos 140 animais diferentes.

Na região, é possível fazer passeios diurnos e também as chamadas “focadas noturnas”, quando um grupo de turismo sai à noite com lanternas para observar os animais no habitat natural. O projeto é realizado em parceria com outras fazendas da região, como a do Projeto Onças do Rio Negro, em Aquidauana.

No Onçafari, avistamentos são feitos de dia ou à noite de carro — Foto: Divulgação/OnçafariNo Onçafari, avistamentos são feitos de dia ou à noite de carro — Foto: Divulgação/Onçafari

No Onçafari, avistamentos são feitos de dia ou à noite de carro — Foto: Divulgação/Onçafari

Já a cidade de Cáceres, no Alto Pantanal, é principalmente conhecida pelo turismo de pesca esportiva, uma modalidade em que os visitantes adeptos da prática passam alguns dias no rio e costumam pescar e soltar peixes.

Apesar dessa tradição, a região também começou a desenvolver projetos de ecoturismo. Ali, assim como em Porto Jofre, os passeios turísticos costumam ser feitos de barco, e os turistas podem escolher dormir confortavelmente em hoteis e pousadas que ficam à beira do Rio Paraguai, rodeadas de tuiuiús, jacarés e outros animais.

Macacos perto da Pousada Recanto do Dourado, que fica às margens do Rio Paraguai, a cerca de 50 minutos de barco de Cáceres (MT) — Foto: Eduardo Palacio/G1Macacos perto da Pousada Recanto do Dourado, que fica às margens do Rio Paraguai, a cerca de 50 minutos de barco de Cáceres (MT) — Foto: Eduardo Palacio/G1

Macacos perto da Pousada Recanto do Dourado, que fica às margens do Rio Paraguai, a cerca de 50 minutos de barco de Cáceres (MT) — Foto: Eduardo Palacio/G1

Corumbá é o principal destino da pesca turística no Pantanal Sul, mas também começa a olhar para o turista que, em vez da vara, carrega equipamentos fotográficos na mala.

Próxima de trechos amplos do Rio Paraguai rumo ao norte, na divisa com Mato Grosso, Corumbá é forte na modalidade de turismo de barco-hotel, em que o passeio dura vários dias e os hóspedes dormem em hoteis flutuantes com diferentes níveis de conforto. A embarcação é usada como base e os passeios de pesca em si acontecem em pequenas voadeiras acopladas.

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Além da conservação das espécies, o ecoturismo é uma forma de esses barcos gerarem renda durante os quatro meses de defeso (ou piracema), o período do ano em que é proibido pescar, porque os peixes estão no ciclo reprodutivo.

A empresa Joicetur, dona de um barco-hotel em Corumbá, é uma das opções de turismo que já começaram a oferecer pacotes de ecoturismo pelo rio entre novembro e fevereiro, quando os turistas de pesca ainda não chegaram à cidade.

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DESAFIO NATUREZA – CAÇA E PESCA ILEGAL

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