Menu fechado

Saiba qual foi o câncer que matou o ex-prefeito Marco Tebaldi e como fazer o diagnóstico 

Saiba qual foi o câncer que matou o ex-prefeito Marco Tebaldi e como fazer o diagnóstico 

No último domingo (13) o ex-prefeito de Joinville Marco Tebaldi morreu aos 61 anos. Ele estava internado no Hospital da Unimed e lutava há dois anos contra um câncer no pâncreas. Há pouco mais de dez dias, Tebaldi foi submetido a um procedimento no canal da bílis, mas contraiu infecção bacteriana e, desde então, estava na UTI.

Outros nomes conhecidos também já foram vítimas da doença, como o criador da Apple, Steve Jobs; o ator americano Patrick Swayze; o tenor Luciano Pavarotti e o ator brasileiro Raul Cortez. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, o câncer no pâncreas é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes causadas pela doença.

São raros os casos antes dos 30 anos, sendo mais comum a partir dos 60. Segundo a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), os casos de câncer de pâncreas aumentam com o avanço da idade. São dez registros a cada 100 mil habitantes com idades entre 40 e 50 anos, e 116 a cada 100 mil habitantes entre 80 e 85 anos. Além disso, a incidência é mais significativa no sexo masculino.

Confira as causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.

As informações a seguir têm o objetivo de apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Pâncreas: glândula responsável pela produção de insulina e absorção de enzimas da digestão
Pâncreas: glândula responsável pela produção de insulina e absorção de enzimas da digestão

(Foto: )

Causas do câncer no pâncreas

As causas que levam ao câncer de pâncreas ainda não são completamente conhecidas pela medicina, mas há fatores considerados de risco que podem ser identificados. Dentre eles, a predisposição genética e hereditária que, segundo o Inca, corresponde entre 10% e 15% dos casos.

Dentre esses, é possível destacar as síndromes de predisposição genética com associação ao câncer de pâncreas como:

– Câncer de mama e de ovário hereditários associados aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2

– Síndrome de Peutz-Jeghers

– Síndrome de pancreatite hereditária

Já os fatores secundários a fatores ambientais e ou comportamentais correspondem à maioria dos casos. Estes, que são considerados não hereditários, podem modificar, já que se relacionam ao estilo de vida de cada pessoa.

Dentre os fatores de risco não hereditários estão:

– Idade

– Tabagismo

– Sedentarismo

– Dieta inadequada

– Obesidade

– Diabetes

Além disso, a exposição a solventes, tetracloroetileno, estireno, cloreto de vinila, epicloridrina, HPA e agrotóxicos apresentam associações com o câncer de pâncreas. Os agricultores, os trabalhadores de manutenção predial e da indústria de petróleo são os grupos de maior exposição a estas substâncias e apresentam risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Como identificar?

Os sinais e sintomas mais comuns do câncer de pâncreas são:

– Fraqueza

– Perda de peso

– Falta de apetite

– Dor abdominal

– Urina escura

– Olhos e pele de cor amarela

– Náuseas

– Dor em abdômen superior e costas

Os sinais e sintomas mais comuns e que devem ser investigados são:

– Icterícia (pele e mucosas amarelas)

– Urina escura (cor de chá preto)

– Cansaço, perda de apetite e de peso

– Dor em abdômen superior e costas

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em poucos dias.

Conforme o Inca, essa variedade de sinais e sintomas não são específicos do câncer de pâncreas, o que colabora para o diagnóstico tardio da doença.

O diabetes tanto pode ser um fator de risco para o câncer de pâncreas, como uma manifestação clínica que antecede o diagnóstico do problema. Assim, o surgimento recente de diabetes em adultos pode ser uma eventual antecipação do diagnóstico do câncer pancreático.

O diagnóstico do diabetes ocorre dentro dos 24 meses anteriores ao diagnóstico do câncer entre 74% e 88% dos pacientes que possuem os dois problemas.

Diagnóstico

Conforme o Inca, não existe sinal ou sintoma que possa confirmar o diagnóstico de câncer de pâncreas. Exames de imagem, como ultrassonografia convencional ou endoscópica, tomografia computadorizada e ressonância magnética são métodos utilizados no processo diagnóstico. Além deles, os exames de sangue, incluindo a dosagem do antígeno carbohidrato Ca 19.9, podem auxiliar no diagnóstico. O laudo histopatológico, obtido após biópsia de material ou da peça cirúrgica, é o que define o diagnóstico da doença.

A detecção pode ser feita por meio da investigação, com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pâncreas traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado por profissionais da saúde.

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer é possível em apenas parte dos casos, já que a maioria só apresenta sinais e sintomas em fases mais avançadas da doença.

Tratamento

O tratamento a ser realizado depende do laudo histopatológico que identifica o tipo de tumor, da avaliação clínica do paciente e dos exames laboratoriais e de estadiamento. O estado geral em que o paciente se encontra no momento do diagnóstico é fundamental no processo de definição terapêutica.

O único método capaz de oferecer chance curativa é por meio de cirurgia, mas é possível em uma minoria dos casos porque, na maior parte das vezes, o diagnóstico é feito em fase avançada da doença.

Nos casos em que a cirurgia não seja apropriada, a radioterapia e a quimioterapia são as formas de tratamento, associadas ao suporte necessário para minimizar os transtornos gerados pela doença. Desta forma, dor, depressão, falta de ar ou qualquer outra manifestação deve ser objeto da atenção da equipe de cuidado.

Como prevenir

A melhor forma de se prevenir do câncer de pâncreas é assumir um estilo de vida saudável. Outras medidas são:

– Evitar a exposição ao tabaco da forma ativa e passiva;

– Praticar atividade física regular e manter uma alimentação saudável, evitando ingestão de álcool, o que contribui para manter o nível de gordura corporal adequado e evitar o sobrepeso e a obesidade;

– Sobrepeso e obesidade são fatores de risco para desenvolver diabetes, que também aumenta o risco para câncer de pâncreas.

Pâncreas: glândula responsável pela produção de insulina e absorção de enzimas da digestão

O pâncreas é uma glândula localizada no abdômen, atrás do estômago e entre o duodeno e o baço. Podendo variar entre 15 e 25 centímetros, ele integra os sistemas digestivo e endócrino, sendo dividido em três regiões: cabeça, corpo e cauda.

As duas funções diferentes são:

Função endócrina: responsável pela produção de insulina – hormônio que controla o nível de glicemia no sangue.

– Função exócrina: responsável pela produção de enzimas que fazem parte da digestão e absorção dos alimentos.

Quando algum problema é detectado causando deficiência na produção de insulina, por exemplo, a glicose, que deveria ser aproveitada pelo organismo, é eliminada pelos rins, o que leva a diabetes.

Algumas doenças que podem afetar o pâncreas são: fibrose cística, diabetes, pancreatite e câncer.

Leia as últimas notícias de Joinville e região.

Artigo Original

Deixe uma resposta