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Saiba como fazer seu dinheiro render após os juros caírem à mínima histórica

Saiba como fazer seu dinheiro render após os juros caírem à mínima histórica

SÃO PAULO – Com mais um
corte da taxa básica de juros
, a migração de recursos dos
fundos de renda fixa
(lastreados em títulos do governo) para
fundos de ações ou multimercados
vai se acentuar. São investimentos com
maior risco
, mas com possibilidade de maior retorno no atual cenário de
Selic
baixa, que levou o Brasil a uma
posição inédita no ranking global de juros.

Com juros reais de 0,64% ao ano, a rentabilidade dos fundos de renda fixa, especialmente aqueles que cobram taxas de administração acima de 1%, perde até para a caderneta de poupança, um dos investimentos mais conservadores do país.

Selic a 4,5% ao ano
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Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que acompanha a indústria de fundos, mostra que taxas de administração menores que 1% são oferecidas apenas para investidores que aplicam entre R$ 25 mil e R$ 100 mil nesses produtos.

Para quem aplica menos de R$ 25 mil, as taxas variam de 1,11% a 1,93%, o que torna esses produtos menos rentáveis para os pequenos aplicadores.

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– O investidor vai ter que diversificar a carteira de investimento e tomar mais risco para obter melhor retorno – diz Marcelo Cidade, economista da Anbima.

Ele lembra que quando a Selic estava em 14% ao ano era fácil ser um investidor conservador e obter uma rentabilidade generosa nos fundos de renda fixa. Agora, será preciso repensar a estratégia de investimento – seja um grande ou pequeno investidor.

Segundo regra estabelecida em 2012, quando a Selic está em 8,5% ou menos, a poupança rende o equivalente a 70% dos juros básicos mais a Taxa Referencial (que é quase zero). Assim, um novo corte de juros reduz sua rentabilidade.

Mas ela ganha competitividade em relação a fundos de renda fixa que acompanham de perto a Selic, que, além de perderem com o corte dos juros, cobram taxas de administração e imposto de renda com alíquota de até 22,5% para resgates de até seis meses.

Rendimento mensal líquido dos fundos
Taxa de
administração
ao ano
Taxa de
administração
ao ano
0,50%
1,00%
1,50%
2,00%
2,50%
3,00%
0,50%
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Taxa de
administração
ao ano
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Tiket de entrada dos fundos de renda fixa
Entre R$ 1.000
e R$ 25.000
Entre R$ 25.000
e R$ 100.000
Taxa de administração
média (anual)
*Fundo é melhor investimento (podemos usar cor no lugar do asterisco – vermelha)
**Fundo e Poupança têm o mesmo rendimento (podemos usar cor no lugar do asterisco – cinza)
***Poupança é melhor investimento (podemos usar cor no lugar do asterísco – amarela)

Rendimento mensal
líquido dos fundos
Taxa de
administração
ao ano
0,50%
1,00%
1,50%
2,00%
2,50%
3,00%
Taxa de
administração
ao ano
0,50%
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2,50%
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Taxa de
administração
ao ano
0,50%
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1,50%
2,00%
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3,00%
Taxa de
administração
ao ano
0,50%
1,00%
1,50%
2,00%
2,50%
3,00%
*Fundo é melhor investimento (podemos usar cor no lugar do asterisco – vermelha)
**Fundo e Poupança têm o mesmo rendimento (podemos usar cor no lugar do asterisco – cinza)
***Poupança é melhor investimento (podemos usar cor no lugar do asterísco – amarela)
Tiket de entrada dos
fundos de renda fixa
Taxa de
administração
média (anual)
R$ 1.000
Entre R$ 1.000 e R$ 25.000
Entre R$ 25.000 e R$ 100.000
Acima de R$ 100.000

Um cálculo feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostra que com a Selic em 4,5% ao ano, a poupança terá rendimento mensal de 0,26%. Esse retorno é maior que o de fundos que cobram taxa de 2% ao ano ou mais em qualquer prazo de resgate.

Em relação aos fundos que cobram taxa de 1,5% ao ano, aplicações em poupança são mais rentáveis entre prazos de 6 meses e 1 ano. Entre 1 ano e 2 anos, o rendimento mensal é igual ao da poupança.  Já os fundos de renda fixa, só ganham da poupança quando cobram taxas de administração menores que 1%.

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– As aplicações lastreadas em juros, sejam fundos de renda fixa, CDBs, poupança e Tesouro Direto rendem menos com juros nesse patamar. Hoje, ter um rendimento de 100% do CDI (juro praticado entre bancos) equivale a ter uma rentabilidade de 4,5% ao ano, sem descontar a inflação prevista de 3,5%. Pagando taxas e imposto de renda praticamente o investidor não ganha nada — diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Anefac, observando que em países onde o juro é baixo o grosso dos investimentos está em renda variável.

Levantamento da Economática, empresa de informações financeiras, mostrou que entre outubro e novembro os 204 fundos de renda fixa mais conservadores (tecnicamente chamados de fundos de duração baixa grau de investimento) acumulavam R$ 690 bilhões em aplicações, o maior volume de recursos entre os fundos de renda fixa, mas amargavam um rendimento de apenas 86,5% do CDI, na mediana.

Mudança para renda variável

A Anbima já detectou esse movimento de troca de renda fixa por renda variável desde o ano passado no Brasil. Em 2018, os investidores retiraram dos fundos de renda fixa R$ 13,5 bilhões, enquanto os fundos de ações tiveram captação positiva de R$ 24,8 bilhões e os fundos multimercado receberam aportes de R$ 39,1 bilhões.

Nos fundos de ações mais procurados, os gestores de investimentos podem replicar índices da Bolsa de Valores, como o Ibovespa, ou aplicar em ações que consideram as mais rentáveis.

Com a retomada da economia, as empresas tendem a ter ganhos maiores e suas ações se valorizam nesse cenário. Os fundos de ações que replicam índices como o Ibovespa (chamados fundos de ações índice ativo) renderam, neste ano (ate dia 6 de dezembro), 32,91%.

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Já os fundos em que os gestores escolhem as ações que consideram mais interessantes (fundos de ações livre), o retorno é de 32,41% ao ano. Entre os fundos multimercados (que podem aplicar recursos em juros, moedas e ações), o mais procurado é multimercado macro, que rendeu no ano 10,28%.

– São produtos que podem dar maior retorno no longo prazo. Portanto, não são indicados para quem precisa do dinheiro aplicado em seis meses ou um ano – observa Miguel Ribeiro de Oliveira, da Anefac.

Este ano, até novembro, os fundos de renda fixa perderam R$ 3,9 bilhões, enquanto os de ações receberam aportes de R$ 67,5 milhões, o maior entre todas as categorias de fundos, e os multimercados receberam R$ 57,4 bilhões.

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— A indústria também vai ter um aprendizado com este novo cenário e terá que oferecer mais títulos privados (de empresas) com prazos mais longos de vencimento e rendimento melhor. Esse movimento já vem acontecendo e vai se acentuar — diz o economista da Anbima.

Títulos lançados por empresas

Neste início de dezembro, algumas empresas estão emitindo títulos de crédito no mercado para captar recursos e voltar a investir. Serão emitidos pelo menos R$ 2 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

São papéis de empresas como a Votorantim Cimentos, do frigorífico Minerva, da ISA CTEEP, transmissora de energia e da Vamos, de aluguel de caminhões e máquinas agrícolas.

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Num cenário de juros baixos, o crédito privado é uma alternativa de investimento, mas é preciso observar caso a caso o rendimento, o risco de crédito da empresa, e o prazo de vencimento desses papéis, que costuma ser mais longo.

– Os CRIS e os CRAS são títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda. Esse costuma ser um fator de atração para a compra desses papéis, mas não pode ser o único. Geralmente são papeís com vencimento de três a dez anos, portanto, indicados para quem dispõe de médio/longo prazo para deixar o dinheiro aplicado  – diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

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