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Como fazer gols no Palmeiras: o GLOBO analisa os 11 gols sofridos em 2019

Como fazer gols no Palmeiras: o GLOBO analisa os 11 gols sofridos em 2019

Dono da melhor campanha da Libertadores e líder invicto do Brasileirão, o Palmeiras volta da parada para a Copa América como a grande sensação do início de temporada no futebol brasileiro. Num elenco recheado de opções ofensivas, um dos trunfos do time de Felipão é a defesa bem montada: a equipe sofreu apenas 11 gols em 34 partidas na temporada.

Dada a dificuldade em furar o muro defensivo alviverde em 2019 – em que disputou o Paulista, a Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileirão –, O GLOBO analisou as 11 vezes em que as redes palmeirenses foram balançadas no ano.

A conclusão sugere que há brechas a serem exploradas com alguma chance de sucesso. Pelo histórico dos gols, trata-se do lado esquerdo da defesa.

Por onde passa o (maior) perigo

Em pelo menos cinco dos gols sofridos em 2019, há nítida vantagem para aqueles que atacam a esquerda da defesa palmeirense.

Na primeira partida pelo Paulistão, um empate em 1 a 1 com o RB Brasil, Aderlan recebeu nas costas do lateral-esquerdo Diogo Barbosa e do zagueiro pela esquerda, o paraguaio Gustavo Gómez. O cruzamento do lateral deu origem a uma disputa entre Ytalo, do RB, e Thiago Santos, do Palmeiras. Na sobra, Jobson apareceu livre para chutar colocado e balançar a rede.

— Faz sentido. O Diogo Barbosa é muito ofensivo e o Palmeiras joga na maior parte do tempo com apenas o Felipe Melo na proteção à zaga. Vale investigar se nesses jogos o Gustavo Gómez estava escalado. Porque é um zagueiro muito seguro e cobre a lateral esquerda — opina Maurício Noriega, comentarista do Grupo Globo.

De fato, o zagueiro paraguaio não tem histórico ruim em relação aos gols sofridos pela equipe. Ele atuou em cinco das nove partidas em que a rede de sua equipe foi balançada. Em contrapartida, Gómez esteve em outras 15 partidas em que o gol palmeirese não foi vazado.

os gols sofridos pelo palmeiras
RB Brasil
Corinthians
Ituano
Ituano
Mirassol
Novorizontino
San Lorenzo
CSA
Chapecoense
Guarani
Guarani
34′ do 1º T
7′ do 1º T
91 do 2º T
29′ do 2º T
9′ do 2º T
38′ do 1ºT
6′ do 2º T
17′ do 2º T
36′ do 1º T
15’ do 2ºT
39’ do 2ºT
Jobson
Danilo Avelar
Serrato
Morato
Carlão
Cléo Silva
Marcelo Herrera
Matheus Sávio
Everaldo
Diego Cardoso
Bady
Paulista
Paulista
Paulista
Paulista
Paulista
Paulista
Libertadores
Brasileiro
Brasileiro
Amistoso
Amistoso

os gols sofridos
pelo palmeiras
RB Brasil
Corinthians
Ituano
Ituano
Mirassol
Novorizontino
San Lorenzo
CSA
Chapecoense
Guarani
Guarani
34′ do 1º T
7′ do 1º T
91 do 2º T
29′ do 2º T
9′ do 2º T
38′ do 1ºT
6′ do 2º T
17′ do 2º T
36′ do 1º T
15’ do 2ºT
39’ do 2ºT

 

Na vitória por 3 a 2 contra o Ituano, pela 9ª rodada do Paulista, um dos dois jogos em que o time de Felipão levou mais de um gol, nova falha na esquerda: Diogo Barbosa e Edu Dracena avançaram juntos sobre Corrêa, que viu Morato entrando livre em velocidade pela direita do ataque. O lance terminou com um belo gol de cobertura.

Contratado junto ao Cruzeiro em novembro de 2017 e voltando de um longo período machucado, o lateral-esquerdo titular Diogo Barbosa esteve envolvido diretamente em pelo menos três dos gols sofridos no setor. Victor Luis, seu substituto imediato, estava nas jogadas de dois, além de ter cometido o pênalti contra o Guarani. Contra o Internacional, nesta quarta-feira, Diogo deve ser o titular.

— É natural que os gols saiam mais por ali, porque o Diogo Barbosa tem mais dificuldades de marcação do que Mayke, Marcos Rocha ou qualquer outro que jogue do outro lado. Diogo marca menos que o Victor Luis, mas é dever dizer que o Diogo enfim está jogando bem no Palmeiras, até porque começou o ano passado com lesão e pelo Victor Luis ter ido bem — analisa Mauro Beting, comentarista do Esporte Interativo e blogueiro do Uol.

Nos empates em 1 a 1 contra Mirassol e Novorizontino (10ª rodada e quartas do Paulista, respectivamente), investidas adversárias em velocidade pela direita deram a tônica dos gols marcados. No primeiro, em contra-ataque, Maílton recebeu em velocidade após ultrapassar Dracena e Gustavo Gómez, antes de cruzar para Carlão marcar. Já nas quartas, foi Cléo Silva quem superou Victor Luis em um rebote de Fernando Prass, conferindo para o gol.

Na última partida disputada pelo time de Felipão, um amistoso na pausa da Copa América, nova oportunidade foi explorada na esquerda. Raphael Veiga perdeu a bola no ataque, o Guarani disparou em contra-ataque com Davó, aproveitando-se da ausência de Victor Luís, sem tempo para recompor a defesa. Um drible em Edu Dracena e um cruzamento na área deram origem ao gol de Bady, em sobra após bola na trave.

Para Beting, a presença de Zé Rafael na equipe deve equilibrar a recomposição defensiva. O comentarista aposta que os números devem mudar com o posicionamento do ex-Bahia no setor.

— A tendência é que melhore com a ajuda do Zé Rafael, que ajuda mais defensivamente do que o Dudu. O Palmeiras também levava os pouquíssimos gols do ano passado por ali. Como o Dudu está jogando mais aberto e o Zé Rafael acompanha mais o lateral, dá para dizer que esses números estarão um pouquinho mais equilibrados — aposta Beting.

Repórter do GLOBO em São Paulo, Adalberto Leister Filho não vê a entrada de Zé Rafael como tamanha garantia. Ele lembra que, apesar de trocarem de posições na marcação, Dudu atua normalmente pela esquerda, enquanto Zé Rafael fica pelo outro lado. Sobre os laterais, Leister reforça a fragilidade defensiva.

— Os dois laterais (Marcos Rocha e Diogo Barbosa) de fato têm problemas de marcação. Não é de hoje. Já tinham no tempo de Atlético-MG e Cruzeiro. Se os gols têm saído pela esquerda, pode ser o ponto vulnerável do Palmeiras, o calcanhar de Aquiles do time hoje. Eventualmente, quando o Felipão tem que marcar melhor o avanço de algum extremo do time adversário, ele opta por Mayke e Victor Luis.

Defesa falhou em afastar bolas da área

Embora esse não possa ser considerado um ponto fraco da equipe, dois gols surgiram em bolas aéreas, ainda que todos tenham saído de rebote ofensivo. Este foi o segundo — e mais difícil — caminho que os oponentes encontraram para furar a defesa alviverde. Uma jogada que pode ser treinada desde que a equipe adversária consiga chegar com pelo menos seis jogadores no momento do cruzamento.

No clássico contra o Corinthians, pela 5ª rodada do Paulistão, Danilo Avelar marcou em lance confuso. Em levantamento na área, Gustagol escapou da marcação de Luan e cabeceou para defesa de Weverton. Na disputa com o ataque corintiano para afastar, Gustavo Gómez afastou mal e a bola sobrou à feição de Danilo Avelar.

Contra o CSA, pela 2ª rodada do Brasileirão, novo gol em rebote dentro da área, mas é preciso salientar que o Palmeiras entrou com um time maciçamente reserva. Desta vez, Matheus Sávio apareceu livre da marcação de Victor Luís, tentou um desvio para o gol, que bateu em Deyverson. No rebote — sem tanta culpa da defesa palmeirense, dada a velocidade do lance — o meia não perdoou.

Raras felicidades e gols de pênalti

Dois gols concedidos pelo Palmeiras foram por intermédio de penalidades. Contra a Chape, na 7ª rodada, a arbitragem marcou toque de mão de Deyverson dentro da área. Everaldo converteu a cobrança. Já contra o Guarani, em amistoso, Victor Luís puxou um adversário dentro da área.

Os demais gols analisados foram em rara felicidade dos adversários. O primeiro gol da vitória sobre o Ituano veio em chute que desviou em Ramon, dentro da área, em posição legal. A bola foi amortecida e ficou na medida para Serrato marcar.

Contra o San Lorenzo, na 3ª rodada da fase de grupos da Libertadores, a rede alviverde foi estufada em chute de fora da área de Marcos Herrera. O gol sai de um misto de marcação frouxa no meio com um belo chute de longe do lateral-direito.

Relembre os 11 gols sofridos pelo Palmeiras no ano

Paulista
 

1.
(vc RB Brasil, 34′ do 1º tempo) Jobson. Aderlan recebe de Jobson, nas costas de Diogo Barbosa. O lateral invade a área e aciona Ytalo. O atacante é desarmado por Thiago Santos, mas a sobra fica com Jobson, que chuta de média distância.


2.
(vs Corinthians, 7′ do 1º tempo) Danilo Avelar. Levantamento na área, Gustagol foge da marcação de Luan para cabecear e Weverton defende. Gustavo Gomez tira mal e Avelar fuzila para o gol. 

 

3.
(vs Ituano, 9′ do 2º tempo) Serrato. Chute de longe pela direita, bola desvia em Ramon, livre. O jogador rola para Serrato empurrar pro gol.

4.
(vs Ituano, 29′ do 2º tempo) Morato. Bela troca de passes no meio desorganiza a marcação. Dracena e Diogo Barbosa atacam Corrêa, que detinha a bola na direita. Morato entra livre pela esquerda, em suas costas, e encobre o goleiro.

 

5.
(vs Mirassol, 9′ do 2º tempo) Carlão. Em contra-ataque veloz pela direita, Maílton recebe nas costas de Dracena e Gustavo Gomez, cruza para Carlão se antecipa a Mayke para completar pras redes.

 

6.
(vs Novorizontino, 38′ do 1ºT) Cléo Silva. Antonio Carlos sai jogando errado no meio, Murilo chuta forte, de longe, e Prass faz a defesa. No rebote, Cléo Silva ganha na velocidade de Victor Luís pela direita e estufa as redes.

 

Libertadores
 

7.
(vs San Lorenzo, 6′ do 2º tempo)  Marcelo Herrera. Em troca de passes longa, Herrera recebe pelo meio e toma a frente de Dudu. O jogador acerta belo chute de longe, no canto.         

Brasileiro


8.
(vs CSA, 17′ do 2º tempo) Matheus Sávio. Cobrança de escanteio, Victor Luis falha na marcação e Matheus Savio desvia duas vezes (a primeira bate em Deyverson) para marcar.

 

9
. (vs Chapecoense, 36′ do 1º tempo) Everaldo. Cobrança de pênalti após toque na mão de Deyverson.

 

Amistosos

10.
(vs Guarani, 15′ do segundo tempo) Diego Cardoso. Victor Luís puxa adversário dentro da área. Na cobrança da penalidade, Diego Cardoso marca.

11.
(vs Guarani, 39′ do 2º tempo) Bady. Rapahel Veiga é desarmado no ataque, Davó puxa contra-ataque pela direita, tabela com companheiro e sai no mano a mano com Edu Dracena. O atacante finta o zagueiro palmeirense e cruza pra área. Bady aproveita rebote de cabeceio na trave e marca.

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