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Como fazer da Yoga algo “sombrio e distópico”

Como fazer da Yoga algo “sombrio e distópico”

Por Maíra Mathias e Raquel Torres

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Não sabemos bem quando se começaram a estudar os resultados objetivos de práticas seculares como yoga e meditação, mas o fato é que benefícios têm sido amplamente documentados. Nos últimos tempos, há um novo conjunto de pesquisas em alta: as que mostram como isso tudo transforma as pessoas em… trabalhadores melhores. A premissa é criticada por Katie Way na Vice dos EUA, que comenta especialmente um artigo publicado  em setembro no Organizational Behavior and Human Decision Processes.

A pesquisa foi feita com trabalhadores de uma companhia de seguros americana e de um centro de consultoria de TI indiano. A melhor notícia – para quem não quer ver os empregados perdendo muito tempo com isso – é que para ter bons resultados são necessários só sete ou oito minutos por dia de alguma prática da chamada atenção plena (ou mindfulness). “Para as pessoas que trabalhavam em call center, sua atividade era quando elas atendiam ao telefone e apenas respiravam profundamente três vezes”, exemplifica uma das autoras, Lindsey Cameron, professora de administração da Universidade da Pensilvânia, nesta entrevista. “Mesmo com uma intervenção única, você está obtendo trabalhadores mais suaves, agradáveis e mais úteis”, conclui. 

Voltando à Vice: Katie Way desenha o quanto “a ideia de praticar a atenção plena especificamente para se tornar um funcionário mais agradável é sombria e distópica” – e mais ainda quando se sabe que o estresse relacionado ao trabalho aumenta década após década. Tem muita empresa surfando nessa distopia. A Google, por exemplo, tem programas de meditação, enquanto a maior parte de seus empregados é terceirizada e vem se unindo para reclamar das condições de trabalho. “Os funcionários não precisam respirar profunda e intencionalmente ou praticar yoga – precisamos de salários, benefícios, licença parental adequados e uma separação robusta entre vida pessoal e profissional”, escreve Way. 

NA MIRA DO GOVERNO

Um levantamento do Banco Mundial feito a pedido do governo brasileiro analisou os ganhos de servidores públicos no país – e terminou bem alinhado com as ideias de Paulo Guedes. Uma das conclusões é que um servidor federal custa quase o dobro do que um trabalhador da iniciativa privada em atividade econômica similar. Outra é que, por ano, os 11,5 milhões de servidores custam 725 bilhões de reais, o que equivale a 20 vezes o valor gasto com o Bolsa Família.

A diferença salarial, contudo, não é a mesma quando se consideram os servidores estaduais e municipais: os estaduais ganham 36% a mais do que seus correspondentes no setor privado, e os municipais recebem até um pouco menos. Juntando as três esferas, servidores públicos têm vencimentos 19% maiores do que na iniciativa privada – percentual que, nota o El País, é ligeiramente inferior à média mundial (21%).  E a maior parte dos servidores (56%) ganha menos de 10 mil reais. 

O coordenador do estudo, Daniel Ortega, afirma que é um “bom momento para realizar reformas”, porque, até 2022, 24% dos servidores da ativa vão se aposentar. A proposta do banco é que se diminua o número de carreiras, fazendo com que seja possível mover servidores de um órgão para o outro sem que se abram novos concursos. Outra ideia é restringir a progressão na carreira. 

TAPA AQUI, DESCOBRE ALI

O Congresso aprovou ontem o projeto de lei que libera R$ 3,041 bilhões em crédito suplementar para ministérios. A maior parte do dinheiro vai para as pastas da Defesa (27,6%), Saúde (24,07%) e Desenvolvimento Regional (23,01%), e que sobrar vai para Agricultura, Educação e Cidadania.
A proposta foi parte das negociações para a aprovação da Reforma da Previdência na Câmara, e o crédito vai servir para pagara as emendas parlamentares negociadas na ocasião. Para dar conta, o governo teve que cancelar gastos em outras áreas… E quase um terço saiu do MEC.  

CÂNCER ENFRAQUECIDO

Cientistas brasileiros identificaram pela primeira vez uma molécula que pode inibir a agressividade de tumores embrionários do sistema nervoso central, responsáveis por um tipo de câncer que é mais comum em crianças. A bióloga Carolini Kaid, da USP, é uma das responsáveis pela descobertas. Ela explicou ao G1 que foram feitos ensaios em camundongos, mas ainda é necessário fazer testes para descobrir se a molécula é tóxica em sua versão sintética e como ela é metabolizada no organismo. Se tudo der certo vêm os testes clínicos e, então, o processo poderá ser aplicado em hospitais, para direcionar o tratamento de câncer pediátrico. 

Ela destacou ainda que até agora foram seis anos de dedicação exclusiva ao projeto, o que só aconteceu porque recebeu bolsas de mestrado e doutorado: “Se não tivesse a bolsa eu teria que parar o estudo no meio do caminho”.

NAS ESCOLAS, NÃO

Após consultar os ministérios da Saúde e da Educação, Bolsonaro vetou uma lei aprovada em setembro no Congresso que garantia atendimento de psicologia e serviço social a estudantes de escolas públicas na educação básica. A proposta não incluía a contratação de profissionais em todas as escolas – eles deveriam compor as equipes das secretarias. Mas a justificativa para o veto foi que a lei é inconstitucional e contraria o interesse público, porque criaria despesas obrigatórias ao Executivo, sem indicar a fonte de custeio. Como lembra a matéria da Folha, a presença de psicólogos nos sistemas de ensino é apontada como uma das formas para combater casos de bullying, evitar ataques violentos e atuar quando eles acontecem. 

O Conselho Federal de Psicologiacondenou o veto. 

PARA A GESTÃO

O Ministério da Saúde anunciou que a partir de agora as Unidades de Saúde da Família vão ter gerentes de atenção primária, em vez de deslocar médicos e enfermeiros para as atividades administrativas. 
Os primeiros profissionais começaram a ser credenciados neste ano, e já são 1.266 gerentes em 293 municípios de 17 estados. A pasta vai repassar R$ 4,4 milhões a estes municípios, ainda em 2019, e o valor pode chegar a R$ 21,5 milhões a partir do ano que vem. O site não traz informações sobre quem são as pessoas desta primeira leva de gerentes, nem fica muito claro qual o seu perfil: diz que o profissional deve ser ” qualificado, com nível superior e preferencialmente com experiência em Atenção Primária à Saúde”. 

CANNABIS NA CÂMARA

A Câmara instalou ontem a comissão especial que vai discutir a liberação da comercialização de medicamentos à base cannabis. O projeto não especifica como seria feita a venda no Brasil – se diretamente nas farmácias comuns, nas de manipulação ou em outro local. A ideia é que a regulamentação seja realizada depois pela Anvisa, que, por sinal, está para votar sobre o cultivo e a comercialização da cannabis medicinal na semana que vem. A comissão vai ter 40 sessões para dar um  parecer em caráter conclusivo. Isso significa que o projeto não precisa ser votado pelo plenário da Câmara e, aprovado, pode seguir direto para o Senado.

MULTA

A Johnson & Johnson foi multada em US$ 8 bilhões por um tribunal da Filadélfia, em um caso envolvendo o medicamento antipsicótico Risperdal. Sua subsidiária, a Janssen, foi acusada de subestimar em seu marketing o risco de que o remédio poderia levar ao crescimento de seios em meninos. Para a empresa, o valor da punição é “excessivo e infundado”. 

NÚMEROS DE SP

Chegou a 12 o número de mortes por sarampo no estado, com mais três confirmações ontem. Antes de agosto, São Paulo estava há 22 anos sem registrar nenhum óbito pela doença. 

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