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Como fazer a infraestrutura para o turismo?

AMAZONAS ATUAL

Deveria haver um Manual para Pousadas, com instruções
simples para a abertura de pousadas sustentáveis no interior do Amazonas. O que
falta para isso? Tecnologia? Técnica? Interesse? Ou já há este manual que
apresenta como ganhar dinheiro legalmente com pousadas? Poderia também haver um
Manual para hotéis de pequeno e médio porte, com um conjunto de licenças e
procedimentos para obter as licenças necessárias para um empreendimento deste
tipo no interior. Não precisa ter a operação em si, mas o Estado do Amazonas
deveria prescrever claramente o que é necessário para abrir este tipo de
empreendimento, com um passo a passo e detalhamento dos investimentos
necessários para uma operação formal.

Já está na hora de usar uma pequena parcela do FTI
para fazer este tipo de contribuição técnica para simplificar a atividade
empreendedora. Afinal, administrar não é apenas apagar incêndios. Onde está o
olhar do desenvolvimento? As queimadas deveriam ser tratadas como um alerta
para outros problemas. Queimadas não podem ser consideradas apenas como um
problema de bombeiros. A questão deveria ser: por que se queima? Entendemos que
é porque não se pode aproveitar os múltiplos potenciais da região. Assim,
parece natural a queimada para muitos de nós e não deveria ser.

Incêndios são alertas para outros problemas. Falta
capacidade para produzir riquezas com recursos mais modernos que queimar uma
plantação para fazer o rodízio para outra ou queimar para plantar. É necessário
atuar nas causas do incêndio. Furou um pneu – é natural trocar o pneu – fazer
uma ação emergencial ou uma disposição, como se diz em sistemas da qualidade
nas indústrias. Entretanto, antes de fazer ações corretivas é necessário
conhecer as causas. O que causa as queimadas? Quais os motivadores? Como
alterar a dinâmica de nosso sistema amazônico para produzir riquezas mantendo a
floresta em pé?

Precisamos de ações mais rápidas e efetivas. Como
pegar 100km2 e fazer um exemplo de turismo na floresta? Há uma tribo
Kayapo, no Rio Iriri que faz turismo para pesca com estrangeiros. Por que não
temos isso ao lado de Manaus ou Belém? O que falta para isso? Por que é tão
difícil fazer isso em Novo Airão? Como ter um método pré-aprovado? Qual o
modelo de negócios para fazer empresas de turismo responsável um modelo
rentável?

Que tal um concurso para empresas do setor hoteleiro se candidatarem a uma exploração de turismo sustentável em Anavilhanas ou em Manaus? Há tantas oportunidades. Somos especialistas hoje em dizer não. Como passar a dizer sim para a região? Enquanto só tivermos o não como resposta, índios se embrenharão na floresta profunda fazendo turismo fora do radar, como o exemplo acima, noticiado na Imprensa inglesa e desconhecido da maior parte de nós. E outros tantos índios e não índios tocarão fogo, como um chamado de socorro.

Quando teremos linhas de ônibus para polos turísticos, estimulando a atração de turistas para cada localidade. Divulgar o turismo para as pessoas de Manaus, com acesso por veículos intermunicipais é uma boa atração. Ao invés da pessoa ir de carro, poderia ter uma linha turística com ônibus confortável para, por exemplo, Presidente Figueiredo ou Rio Preto da Eva. O que falta para isso? Ou já há? Estamos em uma carência tão grande de pensamento para turistas que sequer consideramos os mais de 2 milhões de habitantes de Manaus como potenciais visitantes para todo o interior do Estado. Enquanto os habitantes da capital não se sentirem atraídos para o interior, não será possível atrair pessoas de outros lugares. O primeiro passo para o turismo no Amazonas será o morador de Manaus.


*Augusto Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, Coordenador da Comissão de Logística do CIEAM.

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