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Cervejarias independentes driblam desafios e crescem. Saiba como fazer o negócio prosperar

Cervejarias independentes driblam desafios e crescem. Saiba como fazer o negócio prosperar

RIO – Apesar da crise, a expectativa do segmento de 
cervejarias
independentes é de crescimento nos próximos anos. Mas, para que isso ocorra, ainda será preciso vencer alguns desafios, como a 
alta carga tributária
, o 
custo elevado de produção
 e a 
necessidade de ampliação do mercado
 consumidor, com a democratização das 
cervejas artesanais
 entre as classes mais populares.

Pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (
Abracerva
) mostra que boa parte desses produtores não conseguiu ter lucro em 2019. Metade dos cervejeiros ouvidos pelo levantamento está com as contas empatadas, enquanto 22% estão com prejuízo. Apenas para 28% o faturamento superou os gastos.

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A maioria dos empreendedores do ramo (61%), no entanto, declarou que o faturamento em 2018 foi maior do que em 2017. Para 30%, o faturamento se manteve, e para apenas 9% foi pior.

José Renato Romão, sócio da Cervejaria Brewpoint, de Petrópolis, conta que esse mercado vem crescendo a cada ano em todo o país, mas é preciso melhorar as condições tributárias, especialmente no Estado do Rio.

— Hoje, a tributação de uma microcervejaria inscrita no Simples é de 48% sobre as vendas, incluindo a substituição tributária. Já apresentamos uma proposta ao governador Wilson Witzel para reduzir esse percentual. Sabemos que o estado ainda está em recuperação fiscal, mas em algum momento isso precisará ser revisto — afirma.

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Desde 2017, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), somente cinco cervejarias foram abertas no Rio de Janeiro. O crescimento foi de apenas 8,8%, enquanto o Rio Grande Sul abriu 44 novos negócios. São Paulo teve 41 novos estabelecimentos registrados e, Minas Gerais, 28 cervejarias, segundo o Ministério da Agricultura.

Presidente da Abracerva, Carlo Lapolli aponta que o Rio não chega a ter o imposto mais alto do país e defende que esse é um problema nacional:

— Estamos buscando na reforma tributária uma forma mais inteligente de calcular os tributos, em que pequenas cervejarias paguem menos.

Perfil dos cervejeiros brasileiros
Pós graduação ou mestrado
Ensino superior incompleto

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Atuar como cigano é opção mais viável

Segundo Lapolli, o investimento inicial para abrir uma pequena cervejaria, com produção de quatro a cinco mil litros por mês, por exemplo, é de cerca de R$ 500 mil. Somado aos altos impostos, esse custo acaba sendo repassado ao consumidor.

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— Em estados como Santa Catarina, onde existe um incentivo fiscal maior, a cerveja artesanal é muito mais presente na vida de todos, e não apenas nas classes A e B. Ter um público consumidor maior facilita o acesso a financiamentos, viabilizando novos negócios — defende.

Enquanto isso, a saída para quem não tem um aporte inicial tão alto é atuar como cigano, ou seja, produzir em fábricas de outros cervejeiros. Nesse caso, o investimento inicial pode ficar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, segundo Lapolli.

— Esse é um primeiro passo para quem está começando a fazer cerveja e quer testar. A experiência facilita depois se o empreendedor quiser pegar um empréstimo, por exemplo. E para as fábricas é ótimo, porque os ciganos ocupam a ociosidade — explica.

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Para a analista do Sebrae, Mayra Viana, porém, é importante que os produtores ciganos avaliem, com o tempo, se o custo de não ter sua própria fábrica compensa.

— A produção cigana é para quem já não é mais caseiro, e quer realmente vender, e tem um investimento inicial menor, já que essa pessoa não precisa investir em equipamentos nesse caso. Mas tem que calcular para ver até quando é viável adotar essa estratégia. Não costuma ser rentável se manter como cigano por muito tempo, se o produtor quiser crescer — afirma.

Um outro desafio importante para esses empreendedores, segundo Mayra, é a estrutura de custo.

— Às vezes as empresas se preocupam em colocar um excelente produto no mercado, mas nem sempre avaliam a estrutura de custo e acabam se submetendo a vender por um preço menor do que deveriam. Não pode se basear em um preço médio do mercado. É preciso equilibrar os custos. Alguns produtores se organizam para fazer compras coletivas e baratear a despesa com insumos, por exemplo — aconselha.

PERFIL DO NEGÓCIO
POR ESTADOS
TEMPO DESDE A CRIAÇÃO DO NEGÓCIO
ONDE A CERVEJA ESTÁ DISPONÍVEL
Bar especializado em cerveja artesanal
Loja especializada em cerveja tradicional
Padaria, lanchonetes e similares
Varejo alimentício tradicional
Loja distribuidora de bebidas
Venda direta ao consumidor final

TEMPO DESDE A CRIAÇÃO DO NEGÓCIO
ONDE A CERVEJA ESTÁ DISPONÍVEL
Bar especializado em cerveja artesanal
Loja especializada em cerveja tradicional
Padaria, lanchonetes e similares
Varejo alimentício tradicional
Loja distribuidora de bebidas
Venda direta ao consumidor final

 

José Renato Romão, da Cervejaria Brewpoint, afirma que a paixão pelo negócio não é suficiente, se o cervejeiro não tiver boas noções de gestão e administração.

— O mais importante é se planejar, saber gerir e procurar entregar um produto de qualidade — aponta.

Destaque para a Região Serrana

O polo produtor de cervejas artesanais da Região Serrana do Rio foi reconhecido este mês pelo governo do estado como Arranjo Produtivo Local (APL). O objetivo, segundo José Gonçalves Antunes, especialista de bebidas da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), é unir a cadeia relacionada à produção de cerveja, incentivando o desenvolvimento de soluções inovadoras de produção, além de estímulo ao consumo e o turismo.

— O APL foi criado como forma de incentivar o crescimento das cervejarias artesanais. O Rio de Janeiro ainda tem muito espaço para desenvolver esse potencial e essa cultura, que na Região Sul do país, por exemplo, já está mais estabelecida — explica Antunes.

Vinicius Claussen, prefeito de Teresópolis, acredita que o setor pode se destacar ainda mais nos próximos anos na Região Serrana.

— É uma vocação quase ancestral da nossa cidade. A primeira indústria criada em 1912 foi uma cervejaria. Estamos alinhados com o propósito de fazer este segmento crescer e ampliar a quantidade de empresas e empregos que já passam de mil — declarou.

De acordo com a Firjan, a cidade de Teresópolis ganhará em breve uma legislação de incentivo à abertura de novas cervejarias, a exemplo do que já ocorre em Nova Friburgo e Petrópolis.

— Um dos objetivos do APL é criar condições para que as cervejarias artesanais produzam a um custo menor. Hoje, o consumo principal é por parte das classes A e B, mas queremos ter uma maior penetração na classe C, que representa o maior volume de consumidores — diz Antunes.

 

 

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