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Carros de leilão: como fazer um bom negócio e não cair em uma roubada – Caçador de Carros

Carros de leilão: como fazer um bom negócio e não cair em uma roubada - Caçador de Carros

Uma das perguntas que mais me fazem todos os dias é se vale a pena comprar um carro que teve passagem por leilão. Afirmo logo de cara que não vale a pena, mas claro que é uma opinião pessoal e subjetiva. Conheço várias pessoas que concordarão comigo, e tantas outras que vão discordar. Esse segundo grupo geralmente é de pessoas que já fizeram bons negócios nesse mercado de carros de leilão.

Dito isso, já adianto logo nesse segundo parágrafo: não existe uma resposta certa para isso. Mas vou pontuar algumas coisas que te ajudarão a decidir sozinho qual caminho tomar.

Como funciona um leilão

Teoricamente é a maneira mais justa de se comprar um bem, pois o valor definido será o máximo que o mercado está disposto a pagar. Mas, no caso de leilões de automóveis, a fama não é das melhores. São carros que foram recuperados por financeiras por falta de pagamento, recuperados de roubos ou batidos que a seguradora optou por declarar perda total. Também tem leilões de frotas de empresas, e até mesmo de carros exclusivos.

Quando um carro é leiloado, quem está vendendo divulga um valor mínimo. Diante dessa informação, os participantes do leilão ofertam lances de maior ou igual valor. No pior cenário, ninguém oferta nada e o carro não é vendido. Mas quando os lances superam esse mínimo, aquele que oferta o maior valor é o vencedor.

Sabendo que um carro com histórico de leilão dificilmente conseguirá ser revendido no futuro pelo mesmo valor de mercado que outro que não tem esse histórico, o comprador precisa ter cautela para não pagar o preço errado, que vai prejudicá-lo no futuro.

Porque eu não compro

Juca Varella/Folha Imagem
Imagem: Juca Varella/Folha Imagem

Mesmo nos casos mais simples, como o de carros recuperados por financeiras, prefiro não ter um carro de leilão na minha garagem ou comprá-lo para um cliente.

Imagine que um carro recuperado por financeira foi de alguém que, por algum motivo, ficou sem capacidade para pagar as parcelas. Será que teve condições de realizar as manutenções do carro? Será que abasteceu com combustível de qualidade? Será que, sabendo que a financeira tomaria o carro, fez algo prejudicial ao carro de forma proposita? Essas e outras dúvidas fazem com que eu não considere a compra de um carro de leilão.

Nos outros casos, como os batidos, é pior ainda. A própria seguradora preferiu indenizar o segurado do que arrumar o carro, ou seja, o estrago foi grande, com provável dano estrutural.

Os de frota podem ter sido usados por funcionários sem o menor cuidado com o carro. E, vamos ser francos, sabemos que isso acontece aos montes.

Tem carro bom para todos os bolsos

A grande vantagem em adquirir um carro de leilão é o preço mais baixo. Mas, diante de um rico mercado de carros usados, com diversas opções interessantes de carros bem cuidados e de boa procedência, não enxergo um bom motivo que me convença a comprar um de leilão.

Se tenho apenas R$ 10 mil para comprar um carro, com paciência é possível encontrar algo bom. Com 20 mil, 50 mil, 1 milhão… enfim, qualquer que seja o orçamento, sei que consigo comprar um bom carro sem ter dúvida quanto a sua qualidade.

Dá para ganhar dinheiro?

Sim, certamente é possível ganhar dinheiro com carros de leilão, e esse é o principal argumento de quem já está acostumado com esse mercado. Sabendo pagar o preço certo em um leilão, o comprador revende no mercado de usados com um valor maior e tem lucro nessa operação.

Mas não é tão simples. A compra é feita sem uma avaliação criteriosa, apenas com informações básicas do estado do carro. Depois que estiver com o carro o comprador pode se surpreender com coisas que precisam ser reparadas. São grandes as chances de não ter manual, chave reserva e até estepe. Com isso, o lucro será menor, ou pior, a conta pode fechar no negativo.

Conheço pessoas que estão nesse mercado e já passaram pelos dois lados. Algumas vezes ganham dinheiro, em outras perdem. Ou seja, existe um risco.

Casos de sucesso

Luiz Carlos Murauskas
Imagem: Luiz Carlos Murauskas

Ainda assim lembro de pelo menos dois casos de bons negócios que fiz para clientes que compraram carros com histórico de leilão.

O primeiro foi o de um Peugeot 307 SW. A pedido do cliente, que já tinha ciência do histórico do carro, fui avaliar o veículo e me surpreendi com a qualidade que tinha.

O vendedor já estava com o carro havia um bom tempo e o utilizava todos os dias. Com isso, a manutenção estava em ordem. O preço era atrativo por conta da procedência e, no fim das contas, meu cliente comprou um ótimo carro. Como ele usou o veículo por mais uns bons anos, não tenho dúvidas que essa perua francesa o atendeu muito bem.

No segundo caso, uma rara Mitsubishi Space Wagon, van importada de pouco sucesso por aqui. Avaliei o carro também a pedido de um cliente, mas ele não sabia do histórico do leilão.

Depois de avaliar e aprovar o carro, consultei a documentação e descobri o indesejado histórico de leilão. Considerei que, por ser um carro antigo, que meu cliente não tinha intensão de fazer seguro e que pretendia ficar bons anos com ele, o histórico em nada afetaria, que inclusive estava com um bom preço. Conversei com o cliente, que entendeu e decidiu fechar negócio.

Por fim, gostaria de saber a opinião do leitor sobre a compra de carros de leilão e se tem casos para relatar por aqui.

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