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Bombeiros não têm como fazer perícia de incêndios florestais

Em Ceará-Mirim, na região metropolitana, o fogo atingiu mata próxima à cidade
O Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte não tem estrutura para realizar perícias em incêndios florestais para determinar suas causas. Segundo o comandante da corporação, coronel Luiz Monteiro da Silva, a perícia é uma responsabilidade da corporação, mas não é feita porque a estrutura é inexistente e desconhece se outro órgão faz esse trabalho. Realizar a perícia é o principal procedimento para investigar se houve algum crime ambiental ou não.
Em Ceará-Mirim, na região metropolitana, o fogo atingiu mata próxima à cidade


Em Ceará-Mirim, na região metropolitana, o fogo atingiu mata próxima à cidade

“Todo e qualquer incêndio florestal ou também urbano, para se determinar a causa, tem que se fazer uma perícia de incêndio. Nós não realizamos perícia de incêndio porque ainda não temos estrutura para se determinar a causa” afirmou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros durante uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (10). “Para se fazer uma perícia de incêndio, tem que se ter laboratório, equipamentos e toda estrutura que ainda não temos”.

As exceções são casos onde há relatos de “atividades suspeitas”, que chegam de maneira informal ao Corpo de Bombeiros. É o caso do incêndio ocorrido na mata de Ceará-Mirim nesta quarta-feira (9). Relatos de moradores próximos a área afetada pelo fogo afirmaram que viram dois homens na região minutos antes da queimada iniciar. Uma notificação foi feita à Polícia Civil para iniciar as investigações.

Os incêndios florestais costumam acontecer nesta época do ano tanto por causas naturais (raios, por exemplo), acidentais (queimadas em propriedades que se alastram, bitucas de cigarro) ou de maneira mais criminosa. Em um dia, nesta quarta-feira, 21 focos foram notificados. “A baixa umidade do ar, a vegetação seca e os fortes ventos tornam propício o início de incêndios”, afirmou Monteiro.

Em casos de queimadas particulares, chamadas “controladas”, os proprietários são obrigados a ter uma licença ambiental que ateste as condições para evitar que o fogo se alastre. Nesses casos, a fiscalização é de responsabilidade da polícia militar ambiental. Se não houver licença, o proprietário pode ser penalizado.

As condições climáticas e vegetativas expostas pelo coronel Monteiro explicam os incêndios de causa naturais e os acidentais. O comandante argumenta que, por essas razões, há aumento anual de queimadas durante os meses mais secos (do mês de agosto à dezembro). “Em alguns anos, como em 2018, o número chegou a ser maior, mas não recebeu tanta atenção”, afirmou.

Estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que entre agosto e outubro deste ano, 193 focos de incêndio foram detectados pelos satélites, contra 205 em 2018. Já o Corpo de Bombeiros conta com estatísticas apenas da região metropolitana de Natal, que também apresentam números menores esse ano se comparado ao ano passado. As estatísticas do interior estadual não foram concluídas porque praticamente a totalidade dos bombeiros estão mobilizados no combate aos incêndios.

O coronel Monteiro atribuiu durante a coletiva de imprensa a atenção maior aos incêndios desse ano a algo que chamou de “Efeito Amazônia”. “Acredito que essa atenção é graças a um ‘Efeito Amazônia’. As queimadas de lá chamaram os holofotes para esse assunto”, disse durante a entrevista.

Em outro momento, entretanto, o comandante admitiu que a proporção dos incêndios desse ano são maiores, dificultando o combate. Nas regiões mais secas, como a do Seridó, os incêndios chegam a durar cinco dias antes de serem apagados, como foi o caso da Serra do Lima, no município de Patu, atingida entre os dias 15 e 20 de setembro. Pelo menos outros quatro incêndios deste ano foram considerados de grande proporção.

Enquanto concedia coletiva de imprensa nesta quinta-feira, a região de Portalegre e Viçosa também chegava a cinco dias de queimadas. A equipe do Corpo de Bombeiros está no local desde a terça-feira com a ajuda de voluntários, carros-pipa e máquinas cedidas pelas prefeituras. O comandante afirmou que a região tem uma topografia complexa e é muito seca, o que dificulta o combate. A região do Vale do Açu e Mossoró também registra incêndios de grandes proporções esse ano.

Ainda de acordo com o próprio Corpo de Bombeiros, o aumento do tamanho das queimadas em relação a anos anteriores é explicado pelo aumento da vegetação. As chuvas desse ano proporcionaram o nascimento da vegetação, que agora está seca. Em anos anteriores, apesar pela estiagem, os incêndios eram mais facilmente controlados porque a região tinha menos vegetação.

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